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Dá-me a honra desta dança?
May 18th, 2010 by M.J. Ferreira

Durante os últimos dias, tive visitas em casa e fiquei um pouco afastada destas “lides” bloguistas. Tenho que recuperar o tempo perdido porque houve notícias e das boas, com aquelas frases tipo “chavão” que não vamos conseguir esquecer tão cedo e faz a nossa imaginação delirar um pouco mais no meio do estado crítico em que nos encontramos.

Adorei o nosso Primeiro:

«Para dançar tango são precisos dois e eu não tive parceiro durante meses»

O primeiro-ministro saudou a mudança na liderança do maior partido da oposição, afirmando que «para dançar o tango são precisos dois» e lembrando que «durante muitos meses não tinha parceiro para dançar».

(Só foi pena o Dr. Passos não ter feito mais uns “passinhos” de dança e depois de tantas desculpas que pediu aos seus eleitores laranjinhas, ter esquecido as desculpas àquela senhora velhinha que ele tanto rodopiou para pôr fora da pista de dança e que afinal não se enganou em nenhum dos passos da valsa que cantarolava sem se enganar nos acordes. O Dr. Passos é um exímio bailarino, pelo menos no tango, mas esse não é o único estilo de dança…

Os pecados que nos tiram da crise…
Mar 8th, 2010 by M.J. Ferreira

Foi largamente noticiado que o nosso Primeiro Ministro ia fazer uma comunicação ao país. É claro que às 20 horas em ponto, lá estava eu prontinha para o ouvir atentamente.

E pronto. Lá vi o Sócrates pecar. (“pecar” = acto ou efeito de apresentar o PEC – plano de estabilidade e crescimento).

Ele pecou num tom formal, com pose de Estado, apresentando um a um os pecados que, na sua opinião, vão ajudar a cortar onze mil milhões de euros. (“pecados” = linhas de orientação do PEC)

De uma maneira geral, todos os pecados estão relacionados com medidas muito duras que se irão fazer sentir penosamente naquilo que ainda resta da classe média. Na prática, com as reduções dos incentivos fiscais  na saúde, educação e PPRs, aquela será chamada, em termos de IRS, a pagar mais ou a receber menos.

De um modo geral, os pecados defendidos pelo Governo, com tanto apertar de cinto, vão-nos tornar esterlicadinhos. O  desemprego não diminuirá significativamente, a economia timidamente crescerá devagar, devagarinho e os preços inevitavelmente voltarão a subir. Os pecados apresentados para os ricos e para as grandes empresas não passam de uma brisa suave de moralização para os nossos olhos e ouvidos mas não chegam para evitar uma tempestade de areia no funcionalismo público com uma política salarial de enorme contenção.

Sócrates disse que tem confiança nestes pecados porque justos e necessários. Eles visam equilibrar as contas públicas e relançar a economia e, olhando para o PEC, ai de nós se não fôssemos capaz de crescer de acordo com o previsto. Não há motivação, nem incentivo, nem estímulo. Apenas uma moderação em demasia que esconde a incerteza da produção, a dúvida nas capacidades de um povo cansado de pecado atrás de pecado e sem salvação à vista.

Os pecados de Sócrates, “para mal dos nossos pecados”, podem ser insuficientes e Sócrates continuará a pecar.
“Para mal dos nossos pecados!”

#21
Feb 1st, 2010 by M.J. Ferreira

A curiosidade do espírito na busca de princípios certos é o primeiro passo para a conquista da sabedoria.
(Sócrates)

Agora é a adopção?
Jan 13th, 2010 by M.J. Ferreira

O Diário de Notícias, na edição de hoje, escreve que o PS admite incorporar o direito à adopção na lei dos casamentos homossexuais no caso do Tribunal Constitucional poder chumbar a lei que fez aprovar, à pressa, na passada sexta-feira, na Assembleia da República.

A palavra do Primeiro Ministro está à prova pois ele esclareceu que tal medida não faria parte desta legislatura, uma vez que não tinha sido apresentada e discutida durante a campanha eleitoral para as legislativas.

É minha opinião que se o Tribunal Constitucional chumbar a lei, que é o que espero, esta seria uma oportunidade de ouro para o PS se revestir da humildade que lhe tem faltado e ouvir atentamente a voz do povo.  A acontecer o cenário do chumbo este seria realmente o momento para reformular uma lei que não tem pés nem cabeça e começar a chamar as coisas pelo nome. De forma alguma podemos considerar igual aquilo que é diferente.

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus
Jan 8th, 2010 by M.J. Ferreira

Hoje foi aprovado na Assembleia da Republica a legalização do casamento homossexual tendo por base o diploma apresentado pelo Governo. Disse José Sócrates que com o “sim” ao casamento homossexual será dado um passo significativo contra a discriminação.

Pessoalmente, e já tinha emitido a minha opinião, preferia que fosse feito um Referendo sobre a matéria que permitisse sem dogmatismo ou fanatismo discutir o tema em toda a sua amplitude e implicações. Foi pena que, como frisou Telmo Correia, num país onde dizemos que a sociedade civil não participa, uma petição assinada por mais de 93 mil pessoas, para além de ser notável, seja ignorada completamente pelos deputados do PS, Bloco , PC e Verdes que já manifestaram o seu voto contra. O interessante destas 93.000 assinaturas é que incluíam pessoas que tanto votariam a favor como contra o casamento homossexual.

Friso ainda que os deputados livremente eleitos pelo povo português e a quem representam têm muito pouca liberdade de se exprimir e representar o povo que os elegeu, especialmente no caso do PS que impôs também para a questão do Referendo e da adopção por casais homossexuais a imposição do voto (excepção dada apenas a alguns poucos deputados). Um passo importante contra a discriminação…

Aproveitando ainda este pedaço do “passo importante contra a discriminação”, do discurso do Primeiro Ministro, é interessante notar que o casamento agora aprovado com tanta pressa (e com a desculpa que fazia parte do programa eleitoral do governo) discrimine a adopção. Mais uma vez a desculpa, desta vez que não fazia parte do programa eleitoral. Penso que para o Governo isto é uma incoerência enorme e uma hipocrisia completa. Até porque, de acordo com a jurista Isilda Pegado, não há possibilidade legal de fixar a existência de casamento, sem se admitir a filiação. Depois, ainda há outras discriminações que podem resultar da aprovação do casamento homossexual uma vez que, por exemplo, nos casos de tratamentos de infertilidade, estes ficarão disponíveis para lésbicas casadas mas não para as que vivam “maritalmente” ou que sejam solteiras. Enfim, tudo à pressa, sem uma discussão capaz, e que esclareça e seja esclarecida!

Falta agora esperar pela apreciação do Presidente da República.

Pessoalmente, no caso de haver um Referendo, votaria contra. No entanto, atendendo ao que este Governo já mostrou de opiniões relativamente à família, esta era uma situação esperada. Se era importante que fosse agora, eu, sinceramente, tenho dúvidas. O Governo tem mandato para uma legislatura de 4 anos e, neste momento, o que é importante é o Orçamento de Estado. É isso que vai determinar que tipo de Estado vamos ter a governar-nos e que tipo de despesas e contenções têm que ser feitas. A não ser que o Governo saiba mais do que aquilo que nós sabemos e esteja à espera de cair rapidamente.

Apesar de a minha posição ser contra, concordo com o que Sócrates disse relativamente ao assunto, nomeadamente que a lei aprovada em nada prejudica os direitos, nem as crenças, nem as opções de vida. Realmente, os meus direitos não ficam afectados, as minhas crenças muito menos e as opções de vida continuam intactas. É por isso que acho uma falsa premissa o ataque à Igreja por parte daqueles que queriam a lei aprovada. Já não concordo quando Sócrates diz que assim teremos uma sociedade melhor (teremos uma sociedade melhor quando todos os portugueses tiverem qualidade de vida que seja digna) e que esta lei é de  concórdia e harmonia social (não pode haver concórdia, nem harmonia sem que todos, todos é a sociedade, sem que todos possam ser ouvidos, sem que se discuta em liberdade e se esclareça e se seja esclarecido).

O facto da lei estar aprovada não implica que eu, ou quem pense como eu, ou tenha o mesmo tipo de crenças ou opções enverede pelos caminhos que a lei passa a permitir. Aliás a Bíblia, que tenho como regra de fé e vida, é muito clara: a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Para perceber, considerem-se três aspectos: a Bíblia (divina), a Tradição (humana, baseada no passado) e a Razão (humana, relativa ao presente). Tenho duas regras. A primeira diz que se a Razão e a Tradição contrariarem a Bíblia, eu sigo a Bíblia. É o que acontece para esta minha forma de estar relativamente ao casamento homossexual. Cabe em dois aspectos mas não naquele que escolhi para o meu caminho. A segunda regra diz que se a Bíblia não contrariar a Tradição ou a Razão, utilizo as três. Inclui-se aqui, por exemplo, o pagamento dos impostos – a que não devo fugir, a cidadania responsável, comportamentos adequados em sociedade, a solidariedade, não roubar, não corromper,  nem ser corrompido, etc.

Devo ainda acrescentar que não tenho nada contra os homossexuais. Fazem parte do mundo e Deus ama o mundo que criou. Assim, eu própria os devo amar. Diz o mandamento: ama ao próximo como a ti mesmo. O facto de perceberem que a homossexualidade não é defendida biblicamente compete aos próprios homossexuais que se aproximem da igreja de Cristo. É a eles que é dada a escolha e têm livre arbítrio para o fazerem. A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.

Uma vergonha!!!!!
Nov 18th, 2009 by M.J. Ferreira

O Jornal de Notícias destaca hoje na sua capa que uma “falha nas investigações anula as escutas de Sócrates”. Explica depois no corpo do artigo que “as conversas não deveriam ter sido analisadas pelo juiz de instrução”;  para acrescentar que,  ”o despacho de Noronha Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, de 3 de Setembro passado, considera nulo o procedimento até àquele momento seguido pelo Ministério Público (MP), Polícia Judiciária e magistrado de instrução criminal de Aveiro quanto ao controlo e fiscalização de seis comunicações telefónicas em que Armando Vara fala com o primeiro-ministro.
Aquela decisão considerou que, logo que os investigadores perceberam que José Sócrates era um dos intervenientes nas escutas telefónicas ao administrador do BCP deveriam, de imediato, ter remetido o material ao Supremo Tribunal de Justiça .”

Este tema das escutas tem merecido destaque nos últimos dias. Pessoalmente considero que, a ser verdade a notícia de hoje do JN, isto é tudo uma vergonha! Um escândalo autêntico. Como é possível que constantemente existam falhas nas investigações?????

Como é possível que, ao que parece, indícios de crime que levaram à extracção de várias certidões por parte de um  juiz  que, quero acreditar, não emite certidões por simples conversas entre amigos,  fiquem sem um julgamento? Um julgamento que, de uma vez por todas, permita confirmar, ou não, a culpabilidade ou inocência dos que se encontram envolvidos!

Será que em Potugal cada vez que há escutas em casos mediáticos, que acabam por envolver, igualmente, figuras mediáticas, se descubra que afinal as escutas são para os seus intervenientes apenas uma prova de impunidade,  ou sirvam para uma faceta de vitimização por perseguição política ou de vingança e, por conseguinte,  as escutas passam de provas irrefutáveis, onde não houve dúvidas sobre os teores das conversas, a cabalas que  não passam, como alguém afirmou, de ”terrorismo de Estado” e aproveitamento político?

Será que em Portugal só há clima de suspeição e não há possibilidade de essas suspeitas  serem confirmadas ou eliminadas no Tribunal e não em esclarecimentos de ocasião?

Ai… ai…, meu rico Portugal! Que caminhos perigosos são trilhados por estes dias. Tanta fruta e toda podre!

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