Jan 7th, 2011 by M.J. Ferreira
O texto que vão ler a seguir não é meu. Retirei-o de um blog cujo autor identifico para que os créditos vão parar a quem de direito. Até porque hoje… até tenho vergonha de dizer… caí da cama abaixo e tenho dois galos que impressionam.
Pois… o que se passou foi o seguinte. Às 7h15 da manhã tocaram à porta da rua. Era o padeiro. Eu tinha deixado recado que queria falar com ele para fazer as contas do mês e alterar o número de carcaças por dia.
Não sei como é que fiz, que voltas dei para saltar da cama assustada com o trriiiiiimmmmmmm da porta que bati com a parte de trás da cabeça na porta (1º galo), troquei as pernas (nódoa negra no joelho esquerdo) e bati com a testa com toda a força no chão (2º galo). Ali fiquei estatelada uns segundos a tentar perceber o que tinha acontecido e a tentar levantar-me para ir falar com o padeiro. Coitado do rapaz quando me viu a cambalear de roupão e olhos esbugalhados mas tudo bem. O assunto com ele ficou resolvido.
Não quero falar do meu esposo que continuou como se nada tivesse acontecido. Francamente, a esposa a fazer “acrobacias” sem rede logo de manhã e ele nada. Escusado será dizer que quando fui tomar café à minha cunhada e expliquei que tinha caído da cama abaixo para ir ao padeiro, os “galos” cujo volume se pode ver e apalpar, geraram logo comentários jocosos e brejeiros do tipo “coitada…nunca vê o padeiro”. Para quem não conhece a expressão, o melhor é fazerem uma pesquisa no dicionário.
Não sei quanto tempo mais vou andar com estas protuberâncias mas como sinto a cara assim um tanto ou quanto esquisita não sei como estará a “caixa dos pirolitos”. Pelo sim pelo não, como hoje até é sexta-feira, vou-lhe dar algum descanso e publico algo que descobri sobre Ponte de Lima.
Eu já uma vez vos tinha contado de uma iguaria fantástica que podiam encontrar em Almeirim. Se lá passarem, devem parar e perguntar pela D. Emília e pelas suas caralhotas que são deliciosas; mas um dia destes vou ter que ir novamente a Ponte de Lima descobrir algo que não fiquei a conhecer quando lá estive. Parece que até vêm espanhóis e tudo e nem sempre é fácil encontrar um lugar para petiscar umas fodinhas quentes, a especialidade da casa. Vocês desculpem-me… eu tive mesmo que escrever as f*d*n***s quentes. Não pensem que a história do padeiro me está a alterar assim tanto a cachimónia. Até porque as especialidades não se ficam pelas f*d*n**s. Há putinhas, há cornos, mete rachas, o melhor é mesmo ir lá.
Por agora fiquem-se com o texto de alguém que já foi e gostou…
“Se algum dia alguém, em Ponte de Lima, o convidar para ir às “fodinhas quentes” com “putinhas” a acompanhar, não se ofenda, nem se espante. Pelo contrário, aceite e divirta-se. A proposta consiste em visitar a tasca “Os Telhadinhos”, situada no centro da vila, e comer pataniscas de bacalhau com uma malga de tinto a acompanhar. O divertimento é garantido, ou não fosse o cardápio inventado pela proprietária, Dona Márcia, um verdadeiro chorrilho de petiscos, cada um mais picante que o outro. Entre quase duas dezenas, poucos são os que, além dos “Biquinhos de amor” (caprichos de marisco), escapam à brejeirice.
“A especialidade da casa são ‘fodinhas quentes’. Tenho cá excursões de espanhóis que vêm de longe só por causa delas”, diz Márcia Correia, 42 anos, contando como nasceu o seu cardápio picante. “No princípio pensei Se vou pôr na ementa que há panados, rissóis ou bolinhos de bacalhau, não chamo a atenção a ninguém. Então inventei”, conta, explicando que, na sua tasca, “um bolinho de bacalhau é um mentiroso”. Porquê? “Porque se tem mais batata que bacalhau, então é mentiroso”. A orelha de porco é “Vanico de ronca”. Porquê? “Porque o porco ronca e a orelha abana”, ri.
As codornizes são “Escarrapachadas quentes” porque são cozinhadas abertas; os caracóis “Corninhos de marcha lenta”, vá-se lá saber porquê; e o prego no pão é “Corno na racha”, porque “os pregos às vezes são duros como cornos e vão servidos no meio do pão”.
Há ainda os “Tique-taques-no-redondo”, que são corações de galinha no prato; o “Perigoso na racha”, que é “fígado perigoso porque, se bebemos de mais, estragamo-lo; e os “Chupões de molho verde”, são polvo “que está no mar a chupar nas pedras”.
As tigelas de vinho são “Putinhas” (a mais pequena), “Meia queca” e “Queca cheia”. Quanto à especialidade da casa, Dona Márcia conta “Já vem do tempo em que tinha um café em Ponte da Barca. Um dia a empregada esqueceu-se de pôr bacalhau nas pataniscas e um cliente reclamou. Eu expliquei-lhe e ele respondeu-me ‘Isto é que foi uma grande foda!'”. (José Tomaz Mello Breyner)”
