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Que porcaria. Haja dó!!!
Jan 18th, 2011 by M.J. Ferreira

Ler os jornais diários, ouvir notícias na rádio, percorrer os meios de comunicação através da net ou simplesmente olhar para os noticiários na TV está a tornar-se uma autêntica porcaria. Tenho simplesmente tentado escapar ao descarregar da sujidade que me é proposta, até porque, não me considero nenhuma fossa séptica.

Primeiro, é a leviana campanha presidencial onde se assiste aos pregões bem mal apregoados dos candidatos peixeiros (sem prejuízo para as verdadeiras peixeiras cuja profissão um dia destes está em risco) que, com mais ou menos índole caprichosa, nos habituaram a uma gritaria sobre as inerências que desconhecem do cargo a que concorrem e um chorrilho de maledicência própria de quem não tem ideias. Há, também, os que lá estão para ganhar tempo de antena e outros que gostam de entreter o pessoal a brincar com coisas sérias; pelo que, a escolha com certeza não será difícil no próximo Domingo (pelo menos para mim).

Depois, é o caso da morte de um conhecido colunista social assassinado por um aspirante a celebridade. O voyeurismo tão típico do nosso povo bem como a sua apetência para fazer de juiz na praça pública, alimentado pelos “testemunhos” dos orgãos de comunicação social já ditou sentenças, já achincalhou preferências sexuais, já excitou ânimos mais melindrosos na defesa de pontos de vista, já revelou a cobardia dos comentaristas cibernautas, escondidos em pseudónimos e isentos de dar a cara, através de notas e observações reles e desprezíveis escritas como comentários à catapulta de notícias que vai surgindo. Felizmente, nos Estados Unidos a justiça é bem mais rápida do que cá na nossa terrinha e de certeza não vai ter dó nem piedade no apuramento da verdade.

Para ajudar, vem o caso dos sindicalistas detidos pela Polícia. Tenham dó!!!! Já ouvi comentários de que a liberdade de manifestação e a voz sindical está a ser abafada. Por favor… Pelo que consigo ouvir no noticiário, a concentração de dirigentes – que não é uma manifestação autorizada – foi impedida de descer uma Calçada de Lisboa. A recusa por parte da polícia em permitir que o enorme grupo concentrado pudesse descer a Calçada da Estrela levou a que alguns dos sindicalistas tentassem forçar a barreira o que desencadeou a situação de confronto. Dois foram detidos, um por desobediência e outro, penso, por agressão ou tentativa de agressão, a agente de autoridade. Se há alguém que é contra políticas deste Governo, sou eu. Mas, também sou, uma defensora das responsabilidades que os direitos de cidadania me obrigam. Por favor, haja vergonha e seriedade na comunicação social. Haja algum respeito e consideração no tratamento das notícias.

De uma vez por todas, não apresentem notícias com parcialidade e orientação conveniente. Não dêem tempo de antena (em alguns canais até pagamos todos) a arruaças. Não manipulem casos de polícia onde os factos não são verdadeiramente conhecidos e tudo o que se sabe vem do diz que disse. Não fiquem em casa e exerçam o vosso direito de votar no próximo Domingo de acordo com o que a vossa consciência ditar porque não é com histerias, experiências de guerras e coelhos fora de época (a Páscoa é só em Abril…) que ficamos a saber o que quer que seja.

Que porcaria!!! Por favor, haja dó!!!

Não é assim que recuperamos Portugal.

Abraçar tempestades
Jan 17th, 2011 by M.J. Ferreira

Hoje foi uma segunda-feira atípica. É sempre assim quando alguém que conhecemos parte desta vida. Ao tempo da rotina acrescenta-se o tempo de acarinhar, de passar tempo com, de honrar memórias.
Às vezes as pessoas precisam de nós mais pertinho que nunca. Hoje, essa pessoa foi especialmente a minha mãe. Chegar à idade dela e apesar da gratidão que ela tem por isso, não ajuda muito quando vê partir alguém amigo. Sobretudo, quando esse amigo era parte integrante do que tinha sido a vivência entre casais, ainda no tempo do meu pai e, depois disso, no convívio que o Centro de Dia a que todos pertencem, dinamiza, engrandece e dignifica.
Eu também conhecia este amigo dos meus pais. Pude privar com ele e com a esposa em mais de uma ocasião. Por isso, esta segunda-feira, para além do que é normal e suposto serem as segundas-feiras de cada semana, foi atípica. Se normalmente sorrio, hoje foi tempo de partilhar um sorriso confiante e, nesse sorriso, foi tempo de abraçar, encorajar, limpar lágrimas e transmitir esperança.
Um sorriso, quando alguém próximo está mais carente, é a força que ajuda no sofrimento a abraçar as tempestades da vida. É que as tempestades, a par dos dias de sol, também fazem parte da nossa viagem peregrina aqui na Terra. E tornam-se mais fáceis de superar quando alguém nos dá o braço.

Até Segunda
Jan 14th, 2011 by M.J. Ferreira

A excitação é tanta que vou para o Alentejo que já me estava a esquecer de vos desejar um bom fim-de-semana.
Adeus, até segunda que vou para a casa de férias no condomínio fechado.
Ah, não sabiam que eu tinha uma casa de férias num condomínio fechado, pois não?
Pronto, eu explico vou para o parque de campismo passar o fim de semana na caravana.

Bill Gates
Jan 13th, 2011 by M.J. Ferreira

Mais apontamentos do monte nascido com as arrumações da semana passada, transformam-se hoje no texto que apresenta alguns conselhos que Bill Gates terá dado numa conferência para alunos da secundária sobre 11 coisas que eles não aprenderiam na escola.

É um texto curioso que nem sequer sei se realmente é da autoria de Bill Gates mas, se assim é, é engraçado ver como pensa um dos homens mais ricos da actualidade. Se por acaso, ele não é o autor e alguém se fez passar por ele (toda a gente sabe que numa qualquer apresentação, se precisarmos de citar fontes, é sempre melhor citar de alguém que seja conhecido de todos) diz o povo que o que não mata engorda.

Não interessa muito o autor. Se é o Bill, ele fica com o crédito, se não é, com o crédito fica. Mas para dar substância à história, diz a mesma que de uma forma muito concisa, quando todos pensavam que Bill Gates ia fazer alguma palestra, ele apenas falou uns escassos 5 minutos. Foi o suficiente para ser aplaudido por mais de 10, antes de se retirar no seu helicóptero.

Ele falou sobre como a “política educacional de vida fácil e facilitada” para as crianças tem criado gerações sem um conceito da realidade e como esta política tem levado os jovens a falhar na vida para além escola. Foram estes os seus conselhos:

Conselho 1: A vida não é fácil! Acostumem-se a isso.

Conselho 2: O mundo não está preocupado com a vossa auto-estima! O mundo espera que vocês faça alguma coisa de útil por ele ANTES mesmo que se possam sentir bem convosco próprios.

Conselho 3: Vocês não vão ganhar 40.000 por mês assim que sairem da escola! Vocês não serão vice-presidentes de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que tenham conseguido comprar o vosso próprio carro e o vosso telefone última geração.

Conselho 4: Se vocês acham que têm professores rudes e chatos, então aguardem até ter um Chefe. Ele não vai ter pena de vocês em praticamente nenhuma circunstância.

Conselho 5: Lavar carros ou trabalhar durante as férias não está abaixo da vossa posição social. Certamente os vossos avós têm um nome para esse tipo de tarefas: oportunidade.

Conselho 6: Se vocês fracassarem, a culpa não é dos vossos pais. Então, não lamentem os vossos erros, antes, aprendam com eles.

Conselho 7: Antes de vocês nascerem, os vossos pais não eram tão chatos como são agora. Eles terão ficado assim porque tiveram de pagar as vossas contas, levar-vos à escola, fazer-vos comida, lavar as vossas roupas e ouvir algumas vezes vocês dizerem que eles são “velhos”, “estúpidos”, “ridículos”. Então, antes de salvarem o planeta para a próxima geração querendo consertar a geração dos vossos pais, tentem limpar o que sujam, arrumar o vosso próprio quarto e serem amáveis para a vossa mãe.

Conselho 8: A vossa escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e vencidos, entre bons e maus alunos, porque “traumatiza” as crianças, mas a vida não é assim. A vida vai fazer sempre esta distinção. Em algumas escolas vocês nem chumbam e ainda podem ter várias hipóteses até acertarem. Isto NÃO se parece absolutamente NADA com a vida real. Se pisarem o risco, estão despedidos…, RUA !!!!! Façam o correcto logo na primeira vez!

Conselho 9: A vida não é dividida em semestres. Vocês não terão sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados os ajudem a cumprir as vossas tarefas no fim de cada período.

Conselho 10: A Televisão e afins NÃO é a vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho, o clube, a consola e ir trabalhar.

Conselho 11: Sejam pessoas dignas com aqueles estudantes que todos julgam que são uns nerds. Existe uma grande probabilidade de vocês virem a trabalhar PARA um deles .

E pronto. O monte ainda não se vê mais pequeno mas… folha a folha, vai-se descendo 🙂

# 90
Jan 12th, 2011 by M.J. Ferreira

“O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro e consegue admirar suas qualidades.”
(Autor Desconhecido)

# 89
Jan 11th, 2011 by M.J. Ferreira

Hoje recebi um mail que trazia um escrito de Mário Quintana, com o comentário de estonteamente belo. Chama-se Deficiências e não é que o comentário tinha realmente uma deficiência. Não sei se propositado ou não, cortava a frase com a referência a Deus. Não é necessário tirar Deus de onde Ele está para que aqueles que não O encontraram possam perceber o belo que existe em tudo o que é belo. Faz parte da tolerância entre povos a liberdade de fé, culto e religião, faz parte do progresso a pluralidade do mundo global.

Partilho as Deficiências de Mário Quintana porque tocam no íntimo de cada um de nós, ditos “normais” mas quantas deficiências não escondemos dentro de nós… A deficiência está na forma como olhamos e julgamos… como falamos e omitimos, como manipulamos a mensagem.

DEFICIÊNCIAS

‘Deficiente’ é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
‘Louco’ é quem não procura ser feliz com o que possui.
‘Cego’ é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
‘Surdo’ é aquela que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
‘Mudo’ é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
‘Paralítico’ é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
‘Diabético’ é quem não consegue ser doce.
‘Anão’ é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois
‘Miseráveis’ são todos que não buscam falar com Deus.

Mário Quintana

‘ A amizade é um amor que nunca morre.’

Eu não sou Tu
Jan 10th, 2011 by M.J. Ferreira

Em cima do monte que ficou perto do computador depois das grandes arrumações da semana passada está um pequeno poema em inglês de Roland Tombekai Dempster chamado Africa’s Plea.

Vale a pena pensar nele. Para além daquela que terá sido a razão e/ou os sentimentos do autor para o escrever sobre o continente africano, ele é coerente com e para uma série de situações, bem como sensível a muitas emoções.

Há pessoas que fazem tudo para que os outros as considerem superiores, há outros que abafam ou “robotizam” outros para que estes sejam o que se espera deles, há pais que pretendem que os filhos sejam uma extensão de si próprios, há amizades obsessivas que inibem o próprio “eu”. Tudo isto não está certo. Todos somos diferentes, não há repetições, não há clonagens perfeitas e nem um de nós é igual ao mais parecido que se possa arranjar.

Em qualquer situação devemos ser nós próprios. Uma pessoa, uma identidade. Embora iguais porque detentores de vida humana, seres vivos que nascem, crescem, reproduzem-se ou não e morrem; somos diferentes porque a individualidade do “Eu” nos torna especiais e únicos na obra da criação no tempo e no espaço de que fazemos parte.

Pecisamos perceber o quê, porquê, como e para que somos. Precisamos dar resposta a donde vim, onde estou, para onde eu vou. Precisamos ser e estar corpo, alma e espírito.
À medida que nos desenvolvemos, que crescemos, que amadurecemos, muita coisa, boa e menos boa acontece. Somos desafiados, temos que arriscar, precisamos perguntar e ter respostas, vamos sofrer, chorar, rir e gritar. Mas em todas as situações devemos ter a oportunidade de ser nós próprios. Claro que é bom contar com os conselhos e a experiência de outros. Mas isso, não quer dizer que vamos perceber ou fazer as coisas da mesma maneira.

Alegres ou tímidos, gordos ou magros, letrados ou curiosos, ricos ou pobres, carentes ou voluntários, famintos ou solidários, temos um “Eu” que nos distingue dos demais e, por isso, em qualquer situação, Eu não sou Tu e Tu não és Eu. Este é o apelo do poema:

“I am not you
but you will not
give me a chance
will not let me be me.

‘If I were you’
but you know
I’m not you,
Yet you will not
let me be me.

You meddle, interfere
in my affairs
as if they were yours
and you were me.

you are unfair, unwise,
foolish to think
that I can be you
talk, act
and think like you.

God made me.
He made you.
For God’s sake
Let me be me.
(Africa’s Plea – Roland T. Dempster)

em tradução livre:

Eu não sou Tu
mas Tu
não me dás uma oportunidade
não me deixas Eu ser Eu

‘Se eu fosse Tu’
mas tu sabes
Eu não sou Tu
Ainda assim Tu não me deixas
Eu ser Eu

Tu intrometes-te e interferes
nas minhas coisas
como se fossem tuas
e Tu fosses Eu.

Tu és injusto e insensato
tolo para pensar
que Eu posso ser Tu
falar, agir
e pensar como Tu.

Deus fez-me.
Ele fez-te a ti.
Por amor de Deus
Deixa Eu ser Eu.

Tenho dois galos… na cabeça
Jan 7th, 2011 by M.J. Ferreira

O texto que vão ler a seguir não é meu. Retirei-o de um blog cujo autor identifico para que os créditos vão parar a quem de direito. Até porque hoje… até tenho vergonha de dizer… caí da cama abaixo e tenho dois galos que impressionam.

Pois… o que se passou foi o seguinte. Às 7h15 da manhã tocaram à porta da rua. Era o padeiro. Eu tinha deixado recado que queria falar com ele para fazer as contas do mês e alterar o número de carcaças por dia.

Não sei como é que fiz, que voltas dei para saltar da cama assustada com o trriiiiiimmmmmmm da porta que bati com a parte de trás da cabeça na porta (1º galo), troquei as pernas (nódoa negra no joelho esquerdo) e bati com a testa com toda a força no chão (2º galo). Ali fiquei estatelada uns segundos a tentar perceber o que tinha acontecido e a tentar levantar-me para ir falar com o padeiro. Coitado do rapaz quando me viu a cambalear de roupão e olhos esbugalhados mas tudo bem. O assunto com ele ficou resolvido.

Não quero falar do meu esposo que continuou como se nada tivesse acontecido. Francamente, a esposa a fazer “acrobacias” sem rede logo de manhã e ele nada. Escusado será dizer que quando fui tomar café à minha cunhada e expliquei que tinha caído da cama abaixo para ir ao padeiro, os “galos” cujo volume se pode ver e apalpar, geraram logo comentários jocosos e brejeiros do tipo “coitada…nunca vê o padeiro”. Para quem não conhece a expressão, o melhor é fazerem uma pesquisa no dicionário.

Não sei quanto tempo mais vou andar com estas protuberâncias mas como sinto a cara assim um tanto ou quanto esquisita não sei como estará a “caixa dos pirolitos”. Pelo sim pelo não, como hoje até é sexta-feira, vou-lhe dar algum descanso e publico algo que descobri sobre Ponte de Lima.

Eu já uma vez vos tinha contado de uma iguaria fantástica que podiam encontrar em Almeirim. Se lá passarem, devem parar e perguntar pela D. Emília e pelas suas caralhotas que são deliciosas; mas  um dia destes vou ter que ir novamente a Ponte de Lima descobrir algo que não fiquei a conhecer quando lá estive. Parece que até vêm espanhóis e tudo e nem sempre é fácil encontrar um lugar para petiscar umas fodinhas quentes, a especialidade da casa. Vocês desculpem-me… eu tive mesmo que escrever as f*d*n***s quentes. Não pensem que a história do padeiro me está a alterar assim tanto a cachimónia. Até porque as especialidades não se ficam pelas f*d*n**s. Há putinhas, há cornos, mete rachas, o melhor é mesmo ir lá.

Por agora fiquem-se com o texto de alguém que já foi e gostou…

“Se algum dia alguém, em Ponte de Lima, o convidar para ir às “fodinhas quentes” com “putinhas” a acompanhar, não se ofenda, nem se espante. Pelo contrário, aceite e divirta-se. A proposta consiste em visitar a tasca “Os Telhadinhos”, situada no centro da vila, e comer pataniscas de bacalhau com uma malga de tinto a acompanhar. O divertimento é garantido, ou não fosse o cardápio inventado pela proprietária, Dona Márcia, um verdadeiro chorrilho de petiscos, cada um mais picante que o outro. Entre quase duas dezenas, poucos são os que, além dos “Biquinhos de amor” (caprichos de marisco), escapam à brejeirice.

“A especialidade da casa são ‘fodinhas quentes’. Tenho cá excursões de espanhóis que vêm de longe só por causa delas”, diz Márcia Correia, 42 anos, contando como nasceu o seu cardápio picante. “No princípio pensei Se vou pôr na ementa que há panados, rissóis ou bolinhos de bacalhau, não chamo a atenção a ninguém. Então inventei”, conta, explicando que, na sua tasca, “um bolinho de bacalhau é um mentiroso”. Porquê? “Porque se tem mais batata que bacalhau, então é mentiroso”. A orelha de porco é “Vanico de ronca”. Porquê? “Porque o porco ronca e a orelha abana”, ri.

As codornizes são “Escarrapachadas quentes” porque são cozinhadas abertas; os caracóis “Corninhos de marcha lenta”, vá-se lá saber porquê; e o prego no pão é “Corno na racha”, porque “os pregos às vezes são duros como cornos e vão servidos no meio do pão”.

Há ainda os “Tique-taques-no-redondo”, que são corações de galinha no prato; o “Perigoso na racha”, que é “fígado perigoso porque, se bebemos de mais, estragamo-lo; e os “Chupões de molho verde”, são polvo “que está no mar a chupar nas pedras”.

As tigelas de vinho são “Putinhas” (a mais pequena), “Meia queca” e “Queca cheia”. Quanto à especialidade da casa, Dona Márcia conta “Já vem do tempo em que tinha um café em Ponte da Barca. Um dia a empregada esqueceu-se de pôr bacalhau nas pataniscas e um cliente reclamou. Eu expliquei-lhe e ele respondeu-me ‘Isto é que foi uma grande foda!'”. (José Tomaz Mello Breyner)”


# 88
Jan 7th, 2011 by M.J. Ferreira

“Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.”
(Clarice Lispector)

Semana de arrumações uff…uff…
Jan 6th, 2011 by M.J. Ferreira

Esta semana tem sido marcada por arrumações gigantes. Quer isto dizer que a “tralha” tem sido toda tirada dos sítios onde foi sendo “amontoada” para se proceder à limpeza do espaço e fazer uma escolha daquilo que já não vai ser usado ou não vai ser preciso.

Lembro-me, no passado, de guardar e guardar e tornar a guardar o que quer que fosse pois podia fazer falta. Era assim como que um sentimento de “ter”, de “possuir” terrível. Felizmente este paradigma alterou-se e, hoje, prefiro não desperdiçar o que está bom, no sentido de que aquilo que temos “a mais” é, muitas vezes, o que outros têm a menos. Sinto que toda esta situação confrangedora que o país atravessa espicaçou o sentido de partilha e solidariedade.

Outra coisa boa é que perto de casa há uma paróquia que está a receber todo o tipo de bens para, depois de organizados, fazer a sua distribuição junto dos que mais precisam. Óptimo. Assim qualquer donativo é completamente anónimo; aliás, como penso que deve de ser.

Mas arrumações significa também, no meu caso, encontrar mil e um papelinhos com anotações diversas, cadernos onde fui escrevendo ideias para desenvolver mais tarde, livros e revistas com frases sublinhadas, etc., etc. Confesso que tenho várias dessas ideias mesmo ao lado do computador, num novo monte. Antes que ele caia ou cresça, tenho que o começar a trepar um dia destes. Muito do volume deste monte encontrei ao esvaziar o armário onde guardava os velhinhos cadernos do tempo da licenciatura. “Tadinhos”… já estão bem velhinhos e amarelinhos eheheh. Com esses, quem vai ganhar é a categoria “blogástica” do “Teologizar” que, certamente, me irá merecer algumas gatafunhadelas.

Entretanto, e porque hoje está convencionado ser Dia de Reis, não há como manter vivas as tradições dos nossos avós. Bolo rei já não tem fava nem brinde. Também, diga-se de passagem que nos tem saído bem a fava. Cada vez pagamos mais e mais e nada de brindes. As romãs também não podem faltar e comer os seus bagos está relacionado com
saúde, dinheiro, paz e amor.

Entretanto, ao pesquisar melhor parece que há quem diga que a tradição manda, no Dia de Reis, colocar três bagos de romã dentro da carteira para ter dinheiro durante o Ano Novo que se iniciou. Bem, se me dão licença… termino por aqui que vou pôr 3 sementinhas na carteira e… já agora, aproveito e ponho mais três no congelador para ver se ele está sempre cheio com comidinha. Pelo sim, pelo não, olhem… ponho mais três junto da roupa… pelo menos para ver se ela me serve todo o ano… e, por último mas não menos importante, vou mentalmente guardar mais três no meu coração para que o amor que dedico à família, amigos e pessoas em geral amadureça cada vez mais para que, em qualquer situação, tenha uma palavra sábia, um abraço preparado, um ouvido atento, um sorriso terno, uma gargalhada feliz, uma lágrima empática; a humildade necessária para respeitar diferenças e olhar cada um da forma que Deus o criou e o ama.
Então até amanhã que tenho de ir tratar da romã.

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