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Admiração pelo Teólogo
May 12th, 2010 by M.J. Ferreira

José Ratzinger, Bento XVI, em Portugal
Frontal, Objectivo, Contextualizado, Exemplar:

“As maiores perseguições contra a igreja não vêm de fora, mas dos pecados que estão dentro da própria igreja”

“O perdão não substitui a justiça”

“Cristo está sempre connosco”

“Nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja”

“A prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia e na política”

“Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista”

“A nossa fé tem fundamento, mas é preciso que esta fé se torne vida em cada um de nós”

“É preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas”

“Com o vosso entusiasmo, mostrai que entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente do mesmo nível -, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida”

“Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar experiências e particularidades”

“Hoje, participando na edificação da Comunidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa”

Momentos de euforia
May 11th, 2010 by M.J. Ferreira

Portugal vive momentos de euforia. Ainda não se refez das comemorações benfiquistas sobre o campeonato nacional ganho depois de um jejum de cinco anos e aí está novo banho de multidão nas ruas de Portugal.

A euforia e alegria deste povo português ganha hoje novo fôlego. Aterrou de manhã em Lisboa José Ratzinger, o homem que a Igreja Católica Romana aclamou como o Papa Benedictus XVI que, em Português, foi traduzido como Bento XVI. Sou insuspeita para falar desta viagem. Embora cristã, não me identifico com a identidade papal nos termos que a Igreja de Roma estabelece. Para mim, enquanto estudiosa da Bíblia e da Palavra de Deus nela contida, não cabe um Papa como chefe da Igreja de Cristo.

O “chefe”, ou “pedra angular”, como esta pessoa é identificada no texto bíblico, é Jesus Cristo (Ele é “a pedra angular no qual todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor” (Ef. 2:21)). Não pode haver qualquer tipo de dúvida nem qualquer negociação acerca disso.

Jesus, ao ser referido como a pedra angular, isto é, a pedra fundamental que forma o ângulo externo de um edifício e é colocada no ângulo de encontro de duas paredes, mantendo-as ligadas, indica que Ele é a pedra fundamental sobre quem foi construída a Igreja de Deus, ou seja, o edifício espiritual que serve para morada de Deus em Espírito. Sobre ele há outras pedras, os apóstolos e os profetas (cfr. Ef. 2:20), e todos aqueles que crêem, de acordo com o que está escrito: “Vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Ped. 2:4-5).

É interessante notar, ao estudar-se o texto bíblico, que esta pedra foi rejeitada pelos edificadores, isto é, pelos principais sacerdotes, pelos escribas e pelos Fariseus, antes de se tornar a pedra angular da Casa de Deus. Igualmente interessante, é que, enquanto para os cristãos, Jesus é a pedra angular, eleita e preciosa; o texto bíblico diz que, para aqueles que não crêem em Jesus Cristo, esta pedra angular é uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo (cfr. 1 Ped. 2:6-7). Não é muito diferente nos dias que correm.

Não quero perder-me num debate teológico. Mas realmente o facto de não me identificar espiritualmente com o papel do Papa Romano, não quer dizer, que não possa apreciar a enorme erudição deste homem que está no trono de Roma. Gosto de apreciar os seus textos enquanto Teólogo e não sou hipócrita ao ponto de, mesmo não me identificando com o catolicismo romano, não perceber e não aplaudir alguns dos seus textos teológicos, bem como a tentativa de limpeza dentro da instituição católica romana, face a diversos escândalos vindos a lume nos últimos tempos. Podem dizer-me “ele foi um dos que tentou abafar os escândalos noutra época”. Será. Isso apenas prova que ele não passa de um homem e, como homem, capaz de decisões boas e más, umas acertadas e outras totalmente erradas.

No entanto, se outrora optou por uma posição que estava errada, isso não o impediu de humildemente reconhecer a dimensão do erro e começar a agir em conformidade. Só assim, é possível uma outra vivência mais de acordo com o comportamento que Jesus ensinou. Reconhecer, assumir e mudar o que está mal. Todavia, também não me sai da cabeça que, em cada instituição, seja ela a família ou outra maior, há, na grande maioria das vezes, um certo paternalismo que leva a “proteger” os seus membros, habitualmente através de atitudes conotadas com o silêncio envergonhado que não denuncia, que cala e se pretende se deixe evaporar no tempo.

Depois, não se enganem os críticos da Igreja em relação aos ataques desferidos nos últimos tempos, essencialmente por causa dos crimes de pedofilia. Infelizmente, eles existem não apenas no seio da Igreja de Roma mas, também, no seio de outras religiões (cristãs e não só) e espiritualidades, tanto quanto na sociedade laica. Não se faça o exorcismo de fantasmas culpando quem está mais a jeito. Antes, se fortaleça a dignidade humana desde a concepção e se promova o ensino da cidadania no sentido de que a “vítima” seja a primeira a não calar, a não temer, a não se envergonhar e a gritar bem alto toda a baixeza e afronta a que foi sujeita.

Portugal vive momentos de euforia. No futebol, o Benfica é campeão. O Papa Bento XVI chegou hoje como peregrino de Fátima. Há tolerância de ponto para os portugueses poderem fazer parte desta visita. Portugal está entusiasmado. Portugal por breves momentos está arredado do Portugal real. Este é o fado do nosso destino: Futebol, Fátima e mais uma vez, não escapamos ao Fado (do destino).

Segue-se, com certeza, um aumento de impostos…


(foto in: http://www.estadiodragao.com/sera-engenheiro/)

Hoje é Dia da Terra
Apr 22nd, 2010 by M.J. Ferreira

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.
E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.
E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom;…” (Gn.1:26-30)

Hoje é dia da Terra.
Ao homem, no início da criação foi dada a tarefa de cuidar da Terra.
A ecologia não é nada recente, nem está ligada ao mundo moderno.
Está ligada às tarefas humanas desde “o princípio”, relatadas em Génesis, de administrar o planeta.
Temos uma responsabilidade inerente à nossa condição humana. De que estamos à espera para fazer a diferença?


Os pinheiros sabem quando é a Páscoa
Apr 5th, 2010 by M.J. Ferreira

O fim de semana foi óptimo e o Domingo de Páscoa foi celebrado em família. Uma renovação fidedigna do amor que sentimos uns pelos outros e partilhamos ciosamente em toda a sua pureza e preciosidade.

Ter passado pelo Alentejo fez-me recordar uma velha história que há muitos anos tinha ouvido sobre os pinheiros e o facto de eles saberem quando é o tempo da Páscoa. Pude confirmá-lo “in loco” e sinto-me agradecida por isso.

A história dos pinheiros é uma das muitas que passa de pais para filhos e nos remete para a beleza harmoniosa e simples de toda a natureza. Não percebe porquê? Eu explico a história dos pinheiros.

Cerca de duas semanas antes da Páscoa, os pinheiros têm os novos rebentos a despontar. Se olharmos para o topo de cada um, poderão ver-se pequenos rebentos de um amarelo acastanhado. À medida que a Páscoa se aproxima, os rebentos mais altos vão ramificar e formarão uma cruz.

Até que a Páscoa venha, a maioria dos pinheiros terá pequenas cruzes de um tom castanho amarelado nas pontas dos seus ramos. Quando olhamos para os pinheiros, podemos testemunhar a história uma vez ouvida e que a memória não vai deixar esquecer.

Pude observar e fotografar muitos pinheiros com os seus rebentos a apontar para o céu. Os mais altos brilhavam à luz do sol mostrando em cada cume pequenas cruzes que de maneira harmoniosa se espalham contra o espaço azul celeste e nos recordam a Paixão de Cristo. Cada uma destas cruzes irá dar lugar à renovação dos ramos e à continuação da vida de todos os pinheiros que crescem e se multiplicam a olhar o céu.

Os pinheiros sabem quando é a Páscoa. Parecem recordar a todos os que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver que para a renovação, para a nova vida que se inicia e desenvolve, há que passar pela cruz. Que revelação tão simples e tão perfeita.

Quão maravilhosa e bela é a obra da criação.

O sentido da Páscoa
Apr 4th, 2010 by M.J. Ferreira

O túmulo está vazio!
The tomb is empty!

Ele ressuscitou!
He is risen!

Sexta-feira Santa
Apr 2nd, 2010 by M.J. Ferreira

Aproximadamente 600 anos antes de Jesus ter sido condenado à morte na cruz, o profeta Isaías profetizou o evento. Hoje, podemos convidar as palavras do profeta a penetrar na nossa intimidade e preparar os nossos corações para a Páscoa.

Isaías 52:13 – 53:12:
Eis que meu Servo prosperará, crescerá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos ficaram embaraçados – tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana, assim o admirarão muitos povos: os reis permanecerão mudos diante dele, porque verão o que nunca lhes tinha sido contado, e observarão um prodígio inaudito.

Quem poderia acreditar nisso que ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor?Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos.

Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.

Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca.

Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-lhe dada sepultura ao lado de fascínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira.

Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias, e a vontade do Senhor será por ele realizada.

Após suportar em sua pessoa os tormentos, alegrar-se-á de conhecê-lo até o enlevo. O Justo, meu Servo, justificará muitos homens, e tomará sobre si suas iniquidades. Eis por que lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens, e intercedendo pelos culpados.

Aproximadamente 2000 anos depois, Jesus morreu na cruz e a paixão de Cristo, sua morte e ressurreição é, ainda hoje, o poder e o caminho de Deus para a salvação. O seu sofrimento trouxe-nos justiça e através dela Ele e nós somos plenamente satisfeitos.

O que estamos a fazer?
Mar 3rd, 2010 by M.J. Ferreira

Uma notícia hoje no diário do Sapo, dava conta que famílias cristãs abandonaram o Iraque. Em Bagdade, num bairro do centro da capital onde outrora viveram 3 mil famílias cristãs, restam hoje menos de 70.
Em Portugal, de vez em quando ouvem-se alguns ruídos surdos e confusos estranhos em democracia, onde a tolerância é uma das virtudes, relacionados com crucifixos em salas de aula ou posições em defesa da vida, mas a realidade é que os cristãos podem considerar-se deveras abençoados em termos de perseguições. Mas eu pergunto: o que  estamos a fazer com essa benção?  

Pessoalmente, penso que muitas vezes tem sido mais confortável adoptar atitudes de “vitimização” do que sair à rua agitando as bandeiras da fé. As posições que perante o “evoluir” da nossa sociedade são necessárias adoptar, são muitas vezes mais  cómodamente assumidas nos encontros da “família cristã” aos domingos ou perante os “irmãos na fé”, mas timidamente assumidas perante terceiros, “os nossos próximos” – lembrando a história do Bom Samaritano. 

Podemos dizer que este é o país que temos ou que assim se tem construído um país que não temos. No entanto, podemos e devemos ajudar a construir o modelo de sociedade do País onde vivemos. Os cristãos, são chamados a fazê-lo iluminados pela fé e debaixo da graça infindável do Deus que confessam. Os cristãos devem olhar para a cultura protestante e, quando esta é reconhecida como sendo uma cultura de responsabilidade,  há que aproveitar essas pontes. Alguém disse que a nossa alternativa é a nossa vivência.

Como cristãos, temos uma cultura própria vivida e ensinada por Jesus, a cultura do Reino, tão bem explicada no Sermão do Monte. Que possamos aprender a ser cidadãos do Reino para podermos transmitir a cultura dessa cidadania a um mundo sedento de paz, justiça e amor, um mundo que procura respostas que só têm eco no Deus Criador, Salvador e Consolador.

É preciso que todos nós, os cristãos, comecemos a exercer a inteligência, o discernimento, as capacidades que Deus nos deu de uma forma que lhe dê glória. De outra forma, continuamos a não reconhecer e não dar valor ao que naturalmente possuímos. Já quando o Scolari era treinador da selecção de futebol, ele dizia que o problema com os apoiantes da selecção nacional é o desalento e os problemas que levam para os estádios e que não lhes permitem viver a selecção de uma forma positiva. É melhor os cristãos em Portugal começarem a confiar única e exclusivamente no seu Senhor, sob o risco de não perceberem que de outra forma  estão  a mantê-lo pregado na cruz. É bom lembrar que a cruz está vazia! Jesus ressuscitou e  ofereceu-nos todo o poder da Sua vitória  para que o Seu Evangelho, o Evangelho da Paz , seja não só proclamado mas vivido inteiramente na Sua dependência.

Temos que ser inovadores e transformadores, atentos aos que nos rodeia,  redescobrindo o cristianismo universal, igual em qualquer cultura, igual em qualquer tempo. De outra forma será difícil identificar o que temos ou quem temos no meio de nós. Que resposta damos à pergunta de Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?”Talvez essa seja a maior fragilidade.  Sobretudo porque parece inofensiva. Fomos contaminados por uma mentalidade que descura Deus em detrimento do homem, uma mentalidade que se diz humanista, mas incapaz de defender o direito à vida, o sofrimento em fases terminais, a diferença que nunca pode ser igual.

Há algo mais alarmante que ser cristão em Portugal. É o próprio cristão ignorá-lo.

Entender e viver a pós-modernidade
Jan 26th, 2010 by M.J. Ferreira

“Eu receio que nós, cristãos, sejamos mais frequentemente conhecidos por aquilo a que nos opomos, do que por aquilo que aprovamos.” (Greg Laurie)

Atendendo ao que se assiste cada vez que é apresentado na sociedade um tema a que se convencionou chamar de “fracturante”, Greg Laurie tem razão.
Então, é preciso que o cristão tenha uma noção actualizada do desenvolvimento de matérias, temas, palavras-chave que fazem parte da discussão, da vivência, do agendamento de assuntos que tocam, fazem mover, intrigam, questionam a sociedade em que nos inserimos.
É preciso que o cristão aprenda a pensar e a enunciar objectivos. É preciso que o cristão tenha a noção do que o rodeia de forma a estar preparado para as “disputas e discussões” que este século e, de forma especial, o futuro imediato, têm pela frente.
É preciso que o cristão leia e medite na sua Bíblia e faça passar pelo filtro da Palavra cada um dos desafios que se lhe coloca.

O cristão deve estar preparado para frente à corrupção mostrar o pudor e a probidade; face à injustiça responder com esperança e alternativas; face ao comodismo motivar à pro-actividade. O cristão tem que ser revelação de Deus . Saber sê-la e saber passá-la. Por isso, o cristão tem que deixar de ser “denominação” para ser vida e vida em abundância.

O cristão não pode ser um ornato ou um adorno permanente dos bancos das diversas igrejas existentes, argumentando entre si sobre diferentes baptismos, diferentes exegeses, etc.; antes deve ter consciência da sua sinergia enquanto igreja de Cristo, dialogando, trabalhando humildemente juntos e evitando mexericos e juízos; deve saber viver o grande desejo de Jesus para todos os seus seguidores e que consistia tão só em que todos fossem um.

Fazer parte dos dias que correm implica entender e viver a pós-modernidade. Porquê? Porque as mudanças a todos os níveis que ocorreram nos últimos 50 anos contribuíram de forma decisiva para mudar, de forma radical a maneira de pensar e estar de uma sociedade e, por consequência, da Igreja de Cristo, porque esta é viva, está viva e não pode estagnar, paralisar, agarrar-se às tradições e condenar-se ao imobilismo.

Não que a Bíblia ou o Evangelho se tenham alterado. De forma alguma! Apenas não pode deixar de ser meditado, entendido e vivido, respondendo às exigências de cada dia. Se os cristãos não souberem usar a sua Bíblia para viverem, testemunharem e apresentarem alternativas para os nossos dias, eles não passam de cidadãos do mundo secular esquecidos da sua cidadania enquanto herdeiros do reino de Deus. Passam a ser povo que não exerce influência, fazendo a diferença que se anseia; mas é influenciado e passa a viver um estilo de vida equivocado, assimilando os valores do mundo.

Como os cristãos não são ascéticos, no sentido de uma vida apenas espiritual e contemplativa e nem devem isolar-se em comunidades estanques, devem ter sempre bem presentes os valores da sua cidadania divina, e serem cidadãos de sã moral e vida irrepreensível, conscientes de direitos e responsabilidades, de forma a serem testemunhas pro-activas nos contextos em que se inserem, em que vivem e trabalham.

É tão ténue por vezes a linha da fronteira e tão desejável o outro lado; o dos prazeres imediatos, das fortunas sem trabalho, dos favores comprados, do deixa andar que não há-de ser nada. Mais do que nunca, os cristãos precisam ser, precisam estar, precisam da máxima conhecida por “mulher de César”: não basta serem sérios e honestos, devem parecer sérios e honestos.
Os cristãos precisam de uma participação enquanto cidadãos deste país na vida pública, quer através de processos de representação política, quer através do empenhamento nas instituições, organismos e outros da sociedade civil.

Os cristãos precisam ser testemunhas relevantes da Palavra, perante o que significa estar integrado e comprometido com os princípios e valores fundamentais da democracia portuguesa. Não esquecendo quem é o Senhor e contribuindo decisivamente para ser “sal” (nem demasiado insonso porque não tem sabor, nem demasiado salgado porque não presta) e “luz” (o ponto luminoso em que todos reparam no meio da escuridão que é uma sociedade a corromper-se e a desmoralizar-se)
É preciso que o cristão tenha a noção do que o rodeia. É preciso que saiba avaliar e redimir cada coisa, cada partida, cada peleja com os valores imutáveis da Palavra divina. É preciso que o cristão se organize, aprenda a pensar e a anunciar objectivos. É preciso que adquira um corpo de conhecimentos, competências e capacidades de intervenção, chamando à discussão pública temas pertinentes e actuais.

Entender e viver a pós-modernidade implica os cristãos serem revelação de Deus. Saber sê-la e saber transmiti-la. Ser, ter e viver as alternativas, seja no campo político, jurídico, social, etc. Como cristã, recuso-me a fazer parte das beatas, dos ornamentos, das denominações que apenas inibem o movimento, a mudança e a beligerância. Não quero que Greg Laurie tenha razão quando diz: “Eu receio que nós, cristãos, sejamos mais frequentemente conhecidos por aquilo a que nos opomos, do que por aquilo que aprovamos.”

Você realmente confia em Deus?
Jan 8th, 2010 by M.J. Ferreira

Hoje, antes de ir para o fim de semana, despeço-me com uma pequena história e uma canção:

Conta-se que um alpinista, desesperado pela conquista de uma altíssima montanha, iniciou a sua escalada depois de anos de preparação. Como queria a glória só para si, resolveu subir sem quaisquer companheiros.

Durante a subida foi entardecendo e cada vez ficava mais e mais tarde… O alpinista para ganhar tempo decidiu que não iria acampar e continuou subindo…. subindo… até que por fim ficou escuro.

A noite era densa naquela parte da montanha e não se via absolutamente nada. Tudo era negro, visibilidade zero, a lua e as estrelas estavam encobertas pelas nuvens. Ao subir por um caminho estreito, a apenas poucos metros do topo, escorregou e precipitou-se pelos ares, caindo a uma velocidade vertiginosa. O alpinista via apenas velozes manchas escuras passando por ele e sentia a terrível sensação de estar sendo sugado pela gravidade. Continuava caindo…

E nestes seus angustiantes momentos, passaram pela sua mente episódios felizes e tristes da sua vida. Pensou também na proximidade da morte, sem solução… De repente, sentiu um fortíssimo solavanco causado pelo esticar da corda à qual estava amarrado e que tinha ficado presa nas estacas cravadas na montanha. Nesse momento de silêncio e solidão, suspenso no ar, não havia nada que pudesse fazer e então gritou com todas as forças que lhe restavam: Meu Deus, ajuda-me.

De repente, uma voz grave e profunda vinda dos céus respondeu-lhe: Que queres tu que eu te faça? – Salva-me, meu Deus, disse o alpinista.
-Crês realmente que eu posso salvar-te? – Com toda a certeza, Senhor!, respondeu o homem desesperado.
-Então corta a corda na qual estás amarrado. Houve um momento de silêncio. Então, o homem agarrou-se ainda com mais força à corda-.
- Porque duvidas? Não crês que sou Deus e posso salvar-te? Hesitação: – Sim Senhor, mas…
- Se crês, corta a corda.

Conta a equipa de resgate que no dia seguinte encontraram o alpinista morto, congelado pelo frio, com as mãos fortemente agarradas à corda a apenas dois metros do solo.

Às vezes precisamos de tomar decisões que testam a nossa fé em Deus. Quantas vezes temos de decidir entre o que a nossa razão determina como correcto e a dependência na pessoa de Deus? Quantas vezes nos diz a tradição que devemos agir de determinada forma, de determinada maneira e ignoramos a voz de Deus?

Nós, que estamos tão agarrados a diversas “cordas”, será que estamos dispostos a cortá-las?

“Vem, disse Jesus. Pedro saiu pela borda do barco e caminhou por cima da água em direcção a Jesus. Mas, olhando em torno, sentindo o vento forte, ficou apavorado e começou a afundar-se: Senhor, salva-me! Logo, Jesus lhe estendeu a mão e o socorreu: Homem de pouca fé, porque duvidaste?” Mt:14:30-31

Para nós, palavras de confiança, segurança e esperança:
“Seguro-vos pela vossa mão direita – eu, o Senhor vosso Deus – e digo-vos: Nada receiem. Estou aqui para vos ajudar.” Is.41:13

Hoje é dia de Natal
Dec 25th, 2009 by M.J. Ferreira

Hoje é dia de Natal.

Na calma da manhã enquanto todos ainda dormem, é tempo devocional, de meditação e preparação para um dia em família. Pensando em todas as coisas que tenho de preparar, o “post” para o blog é já algo obrigatório. Não me ocorre outra coisa que não seja, na continuação da minha meditação e tendo em conta que hoje é dia de Natal,  uma oração.

É esta é a minha oração:

Obrigado Pai por toda a tua bondade  e hoje, muito em especial, porque tu me escolheste um dia para conhecer Jesus que transformou a minha vida e o meu viver.

Obrigado pela família. Obrigado porque tu nos tens ensinado a ultrapassar cada dia com paciência, com honestidade, com rectidão. Obrigado porque nos tens ensinado a amar uns aos outros com respeito, tolerância, carinho e cumplicidade.

Obrigada pelos amigos e como através deles se aprende que nenhum de nós é uma ilha isolada. Obrigada porque eles também nos fazem crescer e amadurecer em amor. Que tu  me continues a dar a inspiração para lidar com cada um, com gestos e palavras que os façam também crescer e sentir bem.

Obrigada também por todas as pessoas que não conheço e que Tu colocas em cada esquina do meu dia. Que eu possa olhar para elas da forma que Tu olhas. Com humildade, disponibilidade e ternura.

Neste dia, em que recordamos o nascimento de Jesus, chego a Ti pedindo uma benção especial para a minha e para todas as famílias espalhadas por toda a Terra. Mas Pai, não quero esquecer os momentos difíceis que atravessamos e por isso, eu lembro especialmente as famílias a passar dificuldades, as famílias problemáticas, as famílias que se estão a desfazer. Que no contexto em que estou inserida, Tu me ajudes a ser sal e luz através dos meus pensamentos, palavras e acções.

Mas Pai, quero lembrar os nossos governantes e os líderes de todo o mundo. Que Tu lhes dês a sabedoria para tomarem decisões assertivas e ponderadas de forma a poderem contribuir positivamente para se ultrapassarem situações de pobreza, de corrupção, de intriga, de falta de emprego, de indisciplina financeira  e tantas outras coisas que me e nos afligem.

Lembro, também, todos os que não conhecem Jesus. Que Tu capacites os teus filhos a serem testemunhas idóneas de vidas transformadas e que não se envergonham da tua Palavra.

Lembro ainda Pai todas as pessoas que estão a viajar. Que Tu providencies viagens tranquilas e que cada um cumpra as regras de segurança a que está obrigado.

Tudo isto te entrego e em ti confio.
Amén

E, porque hoje é dia de Natal, aqui fica também o cartão de Natal da Família Ferreira – é só carregar em cima de Família Ferreira que está com cor diferente e já está :)

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